Era o primeiro filho de Luiz D'Arcádia e de Elisa Nigro D'Arcádia, família modesta, e com quem sempre viveu.
A família paterna, de ascendência italiana, originou-se da Mogiana: - o bisavô ainda era imigrante italiano, saído da Europa com a famìlia, inclusive seu avô; mas o pai nasceu em Aguaí.
Em 1924, o avô se transferiu para a Alta Sorocabana, vindo como administrador da Fazenda Santa Lima - Quatá. Em 1926, mudaram-se para Assis.
Depois de Pedro, os pais tiveram mais dois filhos: - Maria Inez e Antônio.
Teve a infância normal de menino sadio, criado na vida livre e quase solta do interior: subindo em árvores frutíferas, escapulindo, às escondidas, do cuidado materno, para nadar nos córregos e ribeirões.
Fez todo curso primário - concluído em 1947 - no tradicional Grupo Escolar "Dr. João Mendes Júnior".
Morava com a família, um tio materno, o qual, embora não tendo recebido formação cultural, era, como os demais Nigro, pessoa interessada em jornais, leituras, cultura geral e Arte; e que, talvez até pelo simples exemplo, despertou no garoto o mesmo interesse pela vida cultural.
Depois, foi o adolescente trabalhar, como balconista, na livraria e papelaria do outro tio, o Sr. José Nigro; e nessa casa comercial, mais do que vendedor de livros, era amigo e cultor das obras culturais e literárias, além da presença do tio estimuladora de interesses culturais.
Aos onze (11) anos de idade, prestou exame de admissão ao então curso ginasial do antigo Instituto de Educação de Assis; e aí efetuou os estudos secundários e o Curso Normal, terminado em 1957.
No ano seguinte, com a instalação, em Assis, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, ele, ávido de ambiência e de comunicação cultural, se aproximou dos professores: José Ferreira Carrato, Cassiano Nunes, Antônio Lázaro de Almeida Prado, encontrando reciprocidade e animação, entregando-se à criatividade literária (poesia, crônicas, ficção), e recebendo sólida orientação literária, até com cessão de livros em empréstimos.
Interessado pela língua inglesa, recebidos os rudimentos transmitidos no ciclo secundário, desenvolveu, sozinho, o seu estudo, valendo-se dos cursos Yazigi e de ensino por discos e correspondência, chegando, em 1958, a lecionar inglês no Ginásio de Maracaí, iniciando, então, a carreira profissional de professor.
Por intermédio do Curso CADES, em Araçatuba, em 1960, obteve certificado que lhe possibilitava lecionar, registrando-se como professor secundário de língua inglesa.
Fez curso de inglês, também em São Paulo, para a obtenção de cetificados de Cambridge e de Oxford.
Em 1961 ou 62, foi nomeado para a Cadeira de Inglês do Instituto Estadual de Educação de Assis.
Lecionou, ainda - sempre inglês - no Colégio e Escola Normal "Santa Maria", no Ginásio Diocesano e no Ginásio Industrial Estadual de Assis, a atual: Escola Técnica Estadual Pedro D'Arcádia Neto.
Foi, também, introdutor do Curso Yazigi em Assis.
Prestou exame vestibular para a Faculdade de Filosofia de Assis, Secção de Letras Anglo-Germânicas - 1962 - mas não seguiu o curso na ocasião, pois o mesmo era em tempo integral, e Pedro estava absorvido profissionalmente com as aulas no Instituto Estadual de Educação.
Somente retornou à FAculdade de Filosofia, em curso parcelado, nos últimos anos de sua vida.
Em 1964, sofreu esgotamento nervoso e fez tratamento em um hospital na cidade de Garça, quando adquiriu a prática da pintura, como terapia mental. tendo cultivado essa arte nos anos finais.
Em 1967 desligou-se do Instituto de Educação. Mudou-se para São Paulo, transferindo-se para a PUC, e passando a lecionar inglês no Ginásio Vocacional do Brooklyn Paulista.
Residia em São Paulo, em casa de parentes, à Vila Leopoldina. Tendo adquirido hepatite, retornou a casa paterna, em 1968.
Então, toda a sua vida se aclarou e estabilizou, nessa plenitude dos trinta anos: foi readmitido como professor no Instituto de Educação, reingressou na Faculdade local, publicava seus trabalhos em Assis, e , na FOLHA DE SÃO PAULO e foi contratado para lecionar literatura Norte - Americana na Faculdade de Filosofia de Tupã.
Estivera em Tupã uma primeira vez, para acertar o trabalho e assinar o contrato; e no dia 19 de Agosto, para lá viajou a segunda vez, a fim de ministrar a primeira aula, a sua primeira aula universitária, a concretização de sua suprema aspiração profissional: o magistério superior.
Tão magno acontecimento levou o pai, Sr. Luiz D'Arcádia, dar estímulo e calor humano ao professor.
Voltaram à noite, acompanhando o automóvel do Professor Onozor, também vindo de Tupã.
Pedro dirigia uma perua D.K.W., que, por duas vezes, enguiçou na estrada.
Madrugada de Quarta-feira, 20 de Agosto de 1969: na chamada "curva da biquinha", entre Marília e Assis, o carro rolou na ribanceira, vitimando fatalmente o Poeta. |